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O Passe Metropolitano é Incrível

Se olharmos pelo mundo vemos que cada vez mais caímos num buraco de negro de coisas negativas, o nosso próprio país está cheio de imensas revoltas e más ações do nosso governo. No entanto, gostava de gastar um pouco do meu latim a falar de uma das medidas que foi crescendo e tornando-se numa das melhores coisas que temos ao nosso dispor na atualidade. Que medida é essa perguntam vocês? Pois claro, a resposta não poderia ser outra se não a implementação do passe metropolitano. 

Na minha família ninguém, pelo menos por agora, tem a carta de condução, pelo que durante a minha vida toda sempre usei os transportes públicos. Tirando alguns usos dos táxis de longe a longe, todas as nossas deslocações sempre foram feitas pelas camionetas da rodoviária e o metro de Lisboa. Isto acarretava uma mensalidade do passe para mim e as minhas irmãs, assim como os preços a vulto dos bilhetes do metro ou da Carris quando nos dirigíamos ao centro da grande metrópole. Como podem imaginar, já era um peso na consciência quando queríamos ir passear e limitava o nosso uso do número de transportes que usaríamos. 

Admito que como uma criança pouco social e isolada nunca foi um tópico que me fizesse muito pensar, afinal por mim ficar fechada no meu quarto era mais barato e um ambiente bem mais apetecível do que o mundo assustador que era a grande cidade inundada de pessoas. Tirando o passeio do Natal, não tinha grandes incentivos para ficar descontente, pelo menos na perspetiva de uma criança pequena. Isso tudo acabou por mudar com a incidência na adolescência onde comecei a fazer mais amigos que ao contrário de mim eram espíritos livres que adoravam explorar cada canto a nossa disponibilidade. Nesses primeiros anos do secundário é que fui percebendo o impacto do passe e a falta de algo mais universal. 

Felizmente para mim, entre o meu décimo primeiro e segundo ano foram introduzidos pela primeira vez os passes metropolitanos que por 40 euros permitiam percorrer grande parte de Lisboa usufruindo dos seus vários transportes públicos. Honestamente não me lembro se todos os outros transportes foram automaticamente disponibilizados para o passe ou se foi algo mais gradual, mas uma coisa posso afirmar, a disponibilidade deste passe abriu completamente Lisboa para mim nestes últimos anos. 

Com a aquisição do passe que na altura era mais barato devido a minha situação escolar e o meu estágio na metrópole, comecei a ganhar toda uma nova independência. Diria mesmo que foi dos primeiros passos para eu sair do meu casulo e começar a aventurar-me lá fora e começar a ter uma vida própria fora dos meus mundos de fantasia. Graças a esta iniciativa do governo comecei a explorar mais os meus interesses culturais, começando a usufruir das regalias que nós portugueses temos nos nossos museus. A partir dai fui visitando todas as exposições possíveis, passear por todos os jardins que me conseguia lembrar e pequenos eventos que iam acontecendo. Com aquela liberdade infinita durante todo o mês, todas as semanas fazia um cronograma que me permitia correr rapidamente todos os cantos da cidade, foi realmente mágico. 

Infelizmente esses tempos tiveram um certo prazo, pois como sabem não muito depois surgiu a Covid-19 que nos fechou a todos em casa. Nessa altura a minha saúde mental entrou num nível baixo que nunca tivera passado que consegui ultrapassar com muito esforço e apoio das pessoas que me rodeiam. Ironicamente quase como num déjà vu, o passe mais uma vez teve um grande impacto na minha batalha contra uma ainda pior ansiedade social, permitindo-me voltar gradualmente à minha rotina de passeios. Graças ao preço consideravelmente acessível também permitiu que os meus primos nas férias de verão adquirissem o passe, tornando isto tudo numa exploração em família. Pela primeira vez em anos levei a minha mãe a visitar um museu. 

Num panorama geral também temos várias reportagens a falar sobre como desde a sua implementação o nível de passageiros clandestinos tem diminuído, assim como o maior uso de transportes públicos por parte da população nos ajuda com as nossas metas ambientais. 

Num todo, tenho excelentes memorias que foram proporcionadas por este fácil acesso aos transportes e fico feliz por ver como os nossos jovens hoje em dia têm um acesso gratuito, abrindo mais oportunidades destes poderem ganhar a sua indecência e melhor usufruírem o que a nossa cidade tem para oferecer. Se procurarmos bem, Lisboa está cheia de atividades divertidas para nos tirar de casa e cantinhos acolhedores para conhecer, por esse motivo acho este passe um marco enorme na nossa evolução. Só espero que ele continue e que não cometam os erros de aumentar muito mais os preços. 




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